Francisco Paulo Mignone nasceu em São Paulo, em 1897, de ascendência italiana. Filho do flautista Alferio Mignone, recebeu formação musical desde a infância. Aos 13 anos já se apresentava como flautista e pianista em pequenas orquestras, participando de bailes e serenatas, e começava a compor peças populares com o pseudônimo de “Chico Bororó”. Em 1913, ingressou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde teve como colega o escritor e musicólogo Mário de Andrade, amizade que se tornaria fundamental para sua trajetória artística. Formou-se em 1917 em piano, flauta e composição, tendo sido aluno de Luigi Chiaffarelli e de Agostino Cantú. No ano seguinte, estreou como solista no Theatro Municipal do Rio de Janeiro interpretando o primeiro movimento do Concerto para piano, de Grieg. Agraciado com uma bolsa de estudos concedida pelo Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, partiu nos anos 20 para estudar no Conservatório de Milão com Vincenzo Ferroni. A influência estética italiana pode ser percebida em sua primeira ópera, O Contractador dos Diamantes, escrita sob orientação de Ferroni. A primeira audição da Congada, uma peça orquestral dessa ópera, deu-se sob a batuta de Richard Strauss com a Orquestra Filarmônica de Viena, no Rio de Janeiro. Após a criação de sua segunda ópera, L’Innocente, Mignone começou a engajar-se, por influência de Mário de Andrade, na busca de uma estética nacionalista. A partir de então, tornou-se uma das figuras mais representativas do nacionalismo musical brasileiro, integrando influências da música erudita com elementos da cultura brasileira, resultando em um estilo inovador e singular. Sua produção é vasta e diversificada, abrangendo sinfonias, concertos e música de câmara, evidenciando a riqueza da tradição musical nacional. Dentre as obras para orquestra mais significativas de seu imenso catálogo estão o balé Maracatu do Chico-Rei, os poemas sinfônicos Festa das Igrejas, gravado por Toscanini, e Quadros Amazônicos, as peças Congada e Maxixe, regidas por Strauss e Respighi, as Fantasias Brasileiras para piano e orquestra, a Sinfonia Tropical e o Concertino para fagote. Mignone foi membro da Academia Brasileira de Música, ocupando a cadeira nº 33, e consolidou-se como uma figura proeminente no cenário musical do século XX. Faleceu em 1986 no Rio de Janeiro, deixando um legado duradouro e uma rica produção musical que continua a inspirar músicos e apreciadores.

